sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Arco-íris



Sempre corremos um risco - o de errar. No entanto, erra quem tenta, do mesmo modo como só acerta quem tenta. Mas certamente a chance maior é a de errar, claro.

Acho que foi o Deleuze - posso estar errado mas me arrisco a dizer - que falou que a gente sempre fala, discursa, na medida daquilo que a gente não sabe.

Mas assim é que são criadas as coisas novas, tão necessárias nesse nosso novo mundo, como em qualquer outro.

Na música, por exemplo, posso me arriscar a fazer aquilo que não sei, correndo o risco de me embananar e errar e estragar toda a música, como também posso - depois de tanto errar - fazer uma coisa legal.

Assim como no meu projeto de doutorado. É preferível que eu faça o simples; contudo (prá isso serve o ponto e vírgula) a gente sempre tenta algo genial.

Mas assim corro o risco de estragar tudo, talvez.

É sempre mais prudente fazer o bê-a-bá. Mas nem sempre a gente se contenta com isso.

Ás vezes as melhores coisas vêm após muito choro.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Uma zona, feliz zona


Há tanta gente descontente por aí, que não sabe aproveitar o melhor do carnaval.

Tanta gente triste sem saber que vive mais quem vive feliz!

Há tanta gente descontente por aí que não sabe o valor de confraternizar, de fazer festa, de cair na folia e prefere falar mal do carnaval.

Carnaval é época de gente pulando, curtindo, bebendo tudo e zoando, é tempo de fazer barbeiragens e maior número de acidentes, gente fazendo merda, gente bêbada suada pulando perto da gente, gente pública pelada e mijando na minha calçada.

O Cartola tem uma frase: "A sorrir eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida".

Eu acho que é mais ou menos o contrário: a mocidade tá perdida, mas tá zoando tudo, felizona.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

uma placa


uma nova ordem
uma velha mania
de querer mudar

uma vontade de cair
uma vontade de ansiedade

ansidedade de sucumbir
cair por cima
se levantando já


como um gato


um gato o caralho

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

todos os olhos


Todos os olhos do tom zé é um disco ótimo.

"De vez em quando todos os olhos se olham prá mim" é apenas uma das frases emblemáticas e poéticas desse disco.

No momento em que todos os olhos se voltam para gente, é preciso dar todos os ouvidos para o que esse vinil tem a dizer.

Principalmente quando se viram para nós, além dos olhos, os olfatos.

Todos os olfatos de vez em quando se viram prá mim.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Doença Mental


Thomas Szasz escreve muito bem sobre esse conceito. Sabemos que é fundamentado muito mais em questões éticas e políticas do em pressupostos científicos ou em favor da saúde.

Tentam mudar as nomenclaturas: doença mental, transtorno mental, sofrimento mental. Mas isso não transforma as estrturas que mantém a loucura como erro, como patologia a ser curada.

E ainda dizem que não tem cura.

Mudam-se as essências mas permanece sua desqualificação e inferiorização.

Isso acontece por que manter a loucura em uma posição inferior, de selvagem mesmo, mantém, por um outro lado, a identidade positivamente de um grupo.

Entenderam?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Escravo


Escrevo ou escravo?

Para não me deixar capturar e esvair-me em sólido tédio queimado, eu escrevo.

No entanto, eu escrevo sobre bosta nenhuma, é um discurso nulo o meu.

Não escrevo sobre nada. Não escrevo sobre ninguém.

Aliás.

Escrevo sobre alguém que não está aqui, alguém que não existe, e que nunca vai existir.

Ou eu não escrevo, mas assim eu me torno escravo.

Nenhuma palavra será suficiente para descrever o que seria não escrever mais, ou para escrever sobre alguém que não está aqui, nunca esteve nem nunca estará.

Entretanto, paradoxalmente essa insuficiência verbal faz com que eu nunca me torne um escravo.

É um pouco mais difícil manobrar o carro em uma vaga apertada quando se tem uma fila de carros atrás.

Algumas pessoas tiram isso de letra; outras não.

Eu prefiro seguir adiante e encontrar uma vaga mais distante.

Ela sempre estará lá.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Tribe


Eu quero um lugar proibido
Eu quero algo mais que libido
Eu quero um caminho prá pulsar

...