quinta-feira, 16 de junho de 2011

Marcha da Maconha


Assisti entusiasmado o debate ao vivo pela TV Justiça sobre a liberação da Marcha da Maconha, pelos Ministros do Superior Tribunal Federal.

A decisão sobre a legalidade de tal movimento foi unânime. A reunião, desde que pacífica, não fere a Constituição e não faz apologia à crime nenhum.

Por pouco, não entrou em debate a legalidade para plantio doméstico e uso para fins medicinais.

Eu disse plantio doméstico.

No entanto, o Ministro Celso de Melo, relator do processo, não excluiu a possibilidade para esse debate em situações futuras.

Diante disso, eu diria: se segura malandro, por que a hora prá fazer a sua cabeça, logo logo, vai ser você quem decide.

Logo, logo.

Mas espera sentado.

Ramuf Mu.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Afinal, quem.


Tem horas em que a gente tem que esculachar com os provérbios.

Tem um provérbio que diz: não dê um passo maior do que as pernas.

Outro diz que é preciso subir de degrau em degrau.

Que o caralho.

Manda prá puta que pariu os provérbios.

Vou dar um passo largão.

Vou tentar subir uns três degraus de vez.

Vão ver o que que dá.

Se sou eu ou o provérbio.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Descambo da medicina


Quase todo mundo deseja emagrecer hoje, menos quem já é magro. Aliás, muita gente magra sempre diz que quer perder mais uma coisinha aqui ou ali.

Uma vez em desembestei de fazer academia. Foi ridículo, na verdade, e só fiz um mês para nunca mais sequer passar na calçada daquele lugar.

Por outro período fazia caminhada na pedra da cebola. Lembro que emagreci bastante. Junto dessa andanças, regulei um pouco minha alimentação. Não fui a nenhum médico, é claro, para que me passasse uma dieta a seguir.

Acho até engraçado quando vejo essas situações, onde o médico vai e passa uma lista para a pessoa dizendo o que, quando e como ela deve comer. Me lembro de uma pessoa que me relatou que a sua médica havia passado no café da manhã uma folha de alface. Poxa, olha o meu tamanho, eu diria! Comer uma folha de alface? Se a pessoa precisa perder peso, que seja de uma maneira equilibrada, isto é, por etapas, não que assim seja correto, isso ou aquilo, mas respeitando e tendo em vista a realidade da pessoa.

E o pior: geralmente uma dieta passada pelo médico é igual para todo mundo! É ser muito burro mesmo.

Convenhamos: muitas vezes não é a falta de informação que faz com que as pessoas adquiram uma dieta com excesso de calorias. Parece que é preciso que alguém sob o rótulo de sabichão especializado diga o que você deve fazer para ser feliz, e magro.

Eu sei que eu acabei que voltei para minha dieta "desregulada", que me traz riscos de infarto do miocárdio e complicações vasculares.

Eu quero mesmo é que o médico que fala esse monte de asneira se foda.

A questão é essa: eu descambei prá inconstância.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Para quem não gosta de peixe


Feriado de páscoa é sempre aquela coisa: todo mundo se empaturrando de torta de bacalhau. Só não é bom para quem não gosta de peixe.

Lembro que, quando mais jovem, com frequência passávamos o feriado na casa de minha avó em Guaçuí.

Bela e gostosa Guaçuí.

Chegávamos lá e era sempre a mesma coisa: a gente não podia comer nenhum tiragostinho porque não podia comer carne. E mais: sequer podíamos beber! Não é alcoolismo, mas sempre chegávamos lá com aquela felicidade, aquela euforia, revendo os primos, reunindo a galera, doidos para tomar umas cervejinhas com o pessoal e comer uns torresminhos... e a gente não podia!

Tínhamos que entrar também no sofrimento.

sábado, 16 de abril de 2011

Injeção auto-aplicável


Tenho percebido que minha culpa tende a aumentar a cada dia que passa.

É como se injetassem em mim uma certa quanidade de culpa fabricada.

Parece um tratamento que, todo dia, devo ir à farmácia e pedir que me injetem determinada quantidade de culpa; e digamos que, todo ano, essa dose aumenta.

Nesse caso o problema não é nem o valor da culpa, é a quantidade.

Ou melhor, sua progressão.

Parece um tratamento para a selvageria; a cada passo, desde que nascemos, somos domesticados e definidos em uma quantidade pequena de comportamentos.

A gente nasce selvagem.

O nosso pensamento é embotado e compactado.

E a gente é alimentado com culpa.

Ironicamente, isso faz sobreviver, mas como um urubu que se alimenta de restos podres de carne.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Desejo de identidade


Minha identidade é um quarto enfumaçado. Minha identidade é algo do qual eu não queira ser. É estar sempre mais acolá do que aqui.

Minha identidade são posturas profundas. São posturas envergonhadas que refletem e sugerem o despreparo. O desespero. Sugerem que não se possa sair.

Minha identidade é um incenso queimando. Um incenso de morango, furta da qual se encixa na espécie das ficoeaes rubros que, até pela proteína cibinina presente em sua coloração avermelhada, é últil no combate a células cancerígenas.

Essas células têm o desejo de destruir outras células saudáveis e aniquilálas. É algo natural. É um desejo de morte da natureza.

O câncer está em seu pensamento. Quando sua identidade é o desejo de câncer.

terça-feira, 5 de abril de 2011

El cuerno del rinoceronte


A natureza é mesmo irônica: certa vez nasceu um rineceronte, aparentemente como qualquer outro.

Contudo, em sua adolescência, notou que era diferente de seus colegas: todos estavam com os chifres nascendo, menos ele.

Começou a ser taxado pelos colegas.

O que o incomodava não era o bullying que sofria.

No lugar do chifre, nasceu um calo. Então toda vez que ele ia dar uma chifrada, como por instinto, ele sentia uma dor aguda, pois batia rispidamente com seu calo.

Porém, sempre repetia esse comportamento, e sempre dava com o calo em riste.

Não conseguia sobrepujar seus instintos animais.

Bença

 a dança dança bença  doença densa  tricota entre eucaliptos  tensa  triste e sem pressa sem essa meça meca mecânica maca maçã aveludada ter...