Machado de Assis escreveu um texto intitulado "o espelho", um conto sobre um moço que, lá pelo final do século 19, havia sido nomeado para a guarda local. Nisso, foi convidado pela tia para ir passar com ela alguns dias no interior. Na casa, não era chamado pelo nome, mas "Sr. alferes", por todos, parentes, agregados e escravos. Eis que um dia, quis seu destino, se viu sozinho naquela casa, permanecendo nessa condição por mais dias, que pareciam meses. Ele, sem ninguém para chamá-lo de Sr. alferes, foi perdendo a identidade social construída pelos outros, se desconfigurando e ameaçando a auto-imagem, perdendo-se de si próprio.
O conto é muito legal, mas eu penso o seguinte: o processo inverso também é verdadeiro, ou seja, pode ser que, em um ambiente com muitas pessoas, acaba que a gente perde nossa individualidade, perde a possibilidade daqueles momentos em que a gente se encontra a sós conosco, e podemos então, entre nós, nossos eus, formar nossa identidade, mesmo que pessoal - mas acredito que ainda social - sem interferência de ninguém.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
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