quinta-feira, 16 de abril de 2015
Lá e cá
Lá e cá é onde quero estar.
Cada vez mais, mais mesmo, até como resistência, vou estar lá: onde vejo a linha do horizonte, o mar, oi mar.
Isso: sempre perto do mar, das montanhas, natureza, floresta, cachoeira, sempre!!! Cada vez mais é onde quero estar!
E cá: no lugar em que eu me encontro hoje, fazendo meu pós-doc na Ufes rodeado de pessoas geniais e maravilhosas, com belíssimas e enriquecedoras experiências e conhecimentos, os quais vão me tornando cada vez mais pesquisador e ao mesmo tempo menos conhecedor das coisas!
Humildade e bons encontros, sempre, cada vez mais, sempre acumulando conhecimento e usando para aquilo que a gente acredita: lutar para a generosidade possa se embrenhar nas relações humanas.
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Crônica de um cotidiano doente
O pneu do carro furou, fui trocar. Só que, ao invés dos simples dez reais que geralmente custa o remendo, tive que comprar dois pneus novos, com orçamento saindo cinquenta vezes mais do que imaginei inicialmente. Os moleques borracheiros perguntaram se não queria que alinhasse também, por 35 reais. Disse que não sabia. Eles me perguntaram se estava puxando, disse que trepidava, mas acreditava que era por causa do pneu que estava furado. Então, ele me garantiu que não precisaria de alinhar, deu a palavra dele de que era por causa do pneu, mas casso eu sentisse o carro puxando, eu voltaria e eles alinhavam. Vi que ele não estava fazendo corpo mole, pelo contrário, e então fui na dele. Só que, ao efetivar o pagamento, a proprietária perguntava se eu não tinha medo de andar com pneus novos sem alinhar, que se eu passasse no buraco iria acontecer isso, aquilo, ainda mais com filhos, enfim, colocou um terror tremendo, ficou uns cinco a dez minutos infernizando, literalmente, minhas ideias, com ironias e sarcasmos bem sorrateiros. Vale ressaltar que ela participa do batismo na igreja. Mantive a postura e não fiz o alinhamento. Contudo, fiquei o resto do dia com as falas dela na minha cabeça. Talvez saísse mais barato ter feito o alinhamento, psicologicamente falando, mas, evitei fazer algo que acreditava (junto com o borracheiro que fez todo o serviço) ser desnecessário. Agora, se as relações no comércio são deste tipo, com comerciantes empurrando e aterrorizando por causa de trinta reais, estou certo de que as pessoas estão muito doentes.
quarta-feira, 25 de março de 2015
eternidade de fúria
estava eu voltando de vitória, ruma a serra, para almoçar em casa e levar os meninos para escola. eis que um carro, tipo um tucson ou algo assim, começa a piscar o farol para querer passar, só que havia uma fila de carros na frente e ao lado uma moto, do tipo, eu teria que forçar a barra para sair da frente dos caras. porra, não tinha como, não ia frear e fazer esforço para tomar a pista da esquerda, com automóveis lá, só para um filho de uma puta do caralho passar e tomar alguns metros, pois na frente haviam vários carros, como citei. Cara, não dei vez, os caras ficaram loucos atrás, gesticulando e piscando o farol e se aproximando de mim. me preparei, do tipo: eles vão bater em mim só de propósito, aí ia dar merda, pois eu estava nervosasso. foda-se, eu ia arrebentar geral, ou me foder de vez. é estranho escrever isso, mas foi o que rolou, sorte que não deu nada, dessa vez. foda né, saber que pode ter a próxima, tenho que me controlar rsrs
fú.ria
sf (lat furia) 1 Acesso de furor. 2 Cólera, ira, raiva. 3 Coragem. 4 Ímpeto. 5 Entusiasmo, inspiração, estro. 6 Precipitação de procedimento. 7 Exaltação de ânimo. 8 Pessoa furiosa. 9 Cir Mulher desgrenhada, mal posta, feia. sf pl Divindades (Alecto, Megera, Tisífone) que, no Averno, atormentavam os condenados.
fú.ria
sf (lat furia) 1 Acesso de furor. 2 Cólera, ira, raiva. 3 Coragem. 4 Ímpeto. 5 Entusiasmo, inspiração, estro. 6 Precipitação de procedimento. 7 Exaltação de ânimo. 8 Pessoa furiosa. 9 Cir Mulher desgrenhada, mal posta, feia. sf pl Divindades (Alecto, Megera, Tisífone) que, no Averno, atormentavam os condenados.
sábado, 7 de março de 2015
Quem não tem cão caça com gato
Certo dia, caminhava pele calçadão da praia de Camburi. Eu já estava com certa intuição sobre algo, e eis que chega um homem - tipo aqueles andarilhos - carregando uma bolsa, falando palavras que eu não pude compreender. Como estava com meus filhos, fiquei em alerta, até porque, não estava trabalhando. Ele se aproximou e continuou a dizer coisas que eu não entendia, até que ele começou a falar mal da presidenta Dilma, entre outras coisas que eu continuava sem entender. Ficamos parados, como estávamos quando ele chegou, e ele continuou andando e falando da presidenta e de outras coisas, se afastando, para o meu alívio. Depois que ele se distanciou bem, decidimos retornar, mas na direção que o homem havia tomado, pois aquele era nosso rumo. Aí, mas prá frente, eis que surge novamente esse homem, mas dessa vez, falou pouco e eu pude compreender muito bem suas palavras: "Quem não tem cão faz o quê? Quem não tem cão faz o quê? Caça com gato!".
Mas quem não tem nem gato faz o quê?
Mas quem não tem nem gato faz o quê?
segunda-feira, 2 de março de 2015
Pedaço de papel
Minha tarefa, profissionalmente falando, é humanizar a loucura.
Tornar a loucura humana.
Restituir a humanidade do louco.
Eu comprei a briga, e foda-se o dinheiro.
Tornar a loucura humana.
Restituir a humanidade do louco.
Eu comprei a briga, e foda-se o dinheiro.
domingo, 1 de março de 2015
Época de merda
Alguns professores possuem o costume costume de pedir aos alunos o texto "por escrito". Só que, não é mais "por escrito", professor, é "impresso".
Estamos assistindo ao processo em que a "tecnologia" (notebook, tablet e celular) substitui o caderno e a caneta. Para dar um exemplo, em uma aula na pós-graduação, há uns cinco anos atrás, existiam quinze alunos na turma assistindo aula, e doze deles estavam com o notebook ligado enquanto o professor falava. Outros dois, nem note nem caderno, e eu com o caderno, solitário.
Fico aqui me perguntando se já é uma batalha perdida para esses "novos tempos", ou se ainda haverá espaço para quem escreve e para o que é escrito à mão, "escrito à luz de velas, quase na escuridão, longe da multidão".
Estamos assistindo ao processo em que a "tecnologia" (notebook, tablet e celular) substitui o caderno e a caneta. Para dar um exemplo, em uma aula na pós-graduação, há uns cinco anos atrás, existiam quinze alunos na turma assistindo aula, e doze deles estavam com o notebook ligado enquanto o professor falava. Outros dois, nem note nem caderno, e eu com o caderno, solitário.
Fico aqui me perguntando se já é uma batalha perdida para esses "novos tempos", ou se ainda haverá espaço para quem escreve e para o que é escrito à mão, "escrito à luz de velas, quase na escuridão, longe da multidão".
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