quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ouço metal e gosto da noite


Noite é escura.

Algumas podem ser frias, outras mais ofegantes.

Mas todas são sempre escuras.

Onde gatos são pardos.

Onde a sombra torna turva a visão.

***


Ao contrário do que possa parecer, escuridão não me impossibilita de ver.

A luz do sol escaldante em borbulhas bombásticas geselioficadas impede minha visão.

Claridade faz com que eu cerre meus olhos a ponto de ver as coisas com enorme dificuldade.

Não é a noite, mas o dia ensolarado que impede de ver as coisas com mais facilidade.

domingo, 19 de dezembro de 2010

As portas fechadas


Portas

as portas fechadas

sugerem que não se pode
sair

as pontes

as
pontes condenadas

sugerem que não se pode
passar

mas esquece de outras portas
e outras pontes.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Êêêêêêêêêêêêêê!!!


Início de semestre, segundo dia de aula no curso de psicologia.

A professora de desenvolvimento iniciaria uma aula expositiva no início e posteriormente os alunos se uniriam em grupos para discutir o tema.

Dieguinho se estremece pela chatice e inutilidade daquela matéria e logo clama:

“Professora, falar disso não, professora, pelamordedeus, isso é muito chato! Vamos falar da vida! Mas não falar da vida dos outros, mas debater sobre o ponto filosófico! Vamos filosofar com base em grandes autores sobre a vida, depois a gente relaciona isso com o nosso senso comum, e aí então a gente usa o saber específico da psicologia!”.

A professora manda Joãozinho para a coordenação por indolência.

Ele chega em casa e vai procurar o que isso significa no dicionário eletrônico Michaellis.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

InstabILIDADe


Eu sou a inspiração.

bem X mal - modo de pensar a vida. Desde Platão.

Só existe psicologia por causa desse pensamento universal.

Rompimento ruptura

Avaliar a vida a partir da experiência - não tem engano, pois seu corpo foi afetado.


Potência: ato, ação. Aqui, nada falta, ao contrário, há abundância, excesso.


Aumento de ação é sempre acompanhado por sentimento de alegria.

Fortalecimento da vida.

Foucault: cuidado de si - está cuidando de todo o entorno também...

Somos seres de pertencimento.

Maus encontros: doença - diminui a potência de ação (em princípio).

Dor.

Configurações mais ou menos estáveis.

Instabilidade.


Restrição - sofrimento


Liberdade é uma produção: ao longo dos encontros, a gente produz mais ou menos liberdade.

Espinosa - determinação.
Nietzsche - acaso.


Eu isso, eu aquilo, eu faço...

o que sou eu

..."os modos de ser são frutos de nossos encontros".

instabilidade

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Amargo


Comecei a tomar café, em boa quantidade, isto é, cerca de umas cinco xícaras cheias por dia, na época em que me graduava em psicologia.

Sentava a tarde no meu quarto com meus textos e minhas xícaras de café.

De início, tomava-as com açúcar.

Mas comecei a me sentir impregnado pelo açúcar, meio saturado por tantas xícaras e consequentemente tanto açúcar.

Passei a tomar com adoçante.

Eu realmente não gosto de adoçante nenhum, tanto que só o uso no café mesmo, que não dá para ficar sem.

Comecei colcando algo em torno de 8 gotas por xícara.

Eram muitas.

Aos poucos, baixou para 7, 6.

Com os anos passei a usar 4 gotas e recentemente diminuí para 3.

Hoje uso apenas duas gotas de adoçante por xícara de café.

Estou cada vez mais gostando dele mais amargo.

As xícaras de café se mantiveram estáveis na casa das 5 por dia, com variações para mais e para menos.

Os textos a serem lidos aumentaram em quantidade e complexidade, eu diria.

Talvez um dia eu venha a preferir café sem adoçante nenhum.

Talvez, eu o prefira amargo, do jeito que ele se apresenta a nós.

Torrado, escuro e amargo.

Cada vez mais amargo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Tempo


É tempo de criar uma nova saúde.
Uma saúde forte, diria Friedrich.
Uma saúde que seja diferente do que aquilo que até agora se fomentou sobre o nome de saúde.

É tempo de criar um novo post.
Um post forte, eu diria, que seja diferente do que aquilo que até agora se fomentou sobre o nome de post.

Um post que fale sobre a necessidade de se criar, inventar, fingir, fantasiar uma nova saúde.

É tempo.

domingo, 14 de novembro de 2010

Bois e vacas


Acordei ouvindo Aretha Franklin, um ícone da música de homens que fazem sexo com homens (HSH).

Boa parte das ações de ONG´s no Centro de Vitória é direcionada a essa população, assim como as profissionais do sexo (desculpe o trocadilho) e também travestis.

O legal é que dispensaram os rótulos "gay", "bicha", viado, frutinha, emo, goiaba, baitola, virola, canapé, boiola e outros para ir ao cerne da questão, isto é, à redução de danos lá onde há o comportamento de risco.

Procuram respeitar o direito da pessoa escolher continuar usando droga ou vendendo o corpo, mas que os faça de modo a reduzir os potenciais agravos à seu corpo, à sua saúde.

Se quiserem injetando essa cocaína de baixíssima qualidade daqui de Vitória, que continuem, mas que o façam com seringas descartáveis, sem compartilhar com terceiros, com água potável, etc.

Se quiserem continuar a fuder com marinheiros nojentos daqui do porto de Vitória, que o façam, mas que utilizem o preservativo, etc.

Então comecei hoje o dia ouvindo essa música de bicha, mas que pode ser considerada uma boa música, e eu queria variar meu repertório.

Minha esposa me perguntou se eu estava de áurea boa.

Eu repondi que não tenho mais áurea, eu perdi ela enquanto era criança agarrada em um arame farpado.

Igual àqueles fiapos do pelo dos bois e vacas.

Bença

 a dança dança bença  doença densa  tricota entre eucaliptos  tensa  triste e sem pressa sem essa meça meca mecânica maca maçã aveludada ter...