terça-feira, 3 de agosto de 2010

Por módicos cem reais



Nem o besouro nem a árvore ficam presos em sua casca.

Aquela casca sai da árvore.

Mas a árvore fica presa no solo.

Aquela carcaça de besouro fica presa na casca da árvore.

Fiz engenharia florestal.

Havia uma disciplina, acho que o nome era etmologia, em que tínhamos que coletar 100 insetos, para então matá-los com álcool e fincá-los com alfinete em uma superfície de isopor.

No inverno muitos não saem da toca.

Veteranos vendem toda a coleção por cem reais.

A gente acaba que fica preso nisso.

Custa um pouqinho de dinheiro, mas a gente acaba que passa.

Ou então reprovando e desistindo voltando para casa para tentar outra coisa.

terça-feira, 20 de julho de 2010


Se a música fosse uma deusa, eu seria seu cego sacerdote. Se fosse uma rainha, seria o escravo. Se estivesse no twitter, seria seu seguidor.

Nesse dia do amigo, presto homenagem a ela que sempre esteve comigo, mesmo que fosse apenas em meus pensamentos. A música me conforta, nos bons e maus momentos. Nos melhores momentos, ela banha minha existência. E nos piores, lá está ela também.

A música não me abandona (por muito tempo).

Nada haveria de interessante nessa vida não fosse a música.

Então, publico o aforismo 250 do mais musical escritor que conheço, nietzsche, tirado de seu livro aurora.

A música e a noite - O ouvido, o órgão do medo, pôde desenvolver-se tanto como se desenvolveu apenas na noite e na penumbra de cavernas e bosques sombrios, consoante o modo de viver da época do medo, isto é, a mais longa época da humanidade: no claro, o ouvido não é tão necessário. Daí o caráter da música, uma arte da noite e da penumbra.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ai mi beck.


Eu voltei


Voltei. Mas não sei se é para ficar. Se eu fosse o roberto carlos, era melhor que fosse para ir pro inferno queimar feito a gordura da picanha que me faz morrer feliz. Mas eu voltei e aqui estou. Muito pior.

Voltei mais criativo. Estou criando um transtorno mental. A cada dia sensivelmente embruteço. A cada dia felizmente me amargo. Jogaram uma xiboquinha na ferida aberta. Que seja. Não há escolhas.

Eu voltei como os bordões do galvão bueno. Prá cima deles brasil. Eu voltei igual a roxanne do sting, não tenho que vender meu corpo prá noite. Mas pagando bem, que mal tem.

Voltei muito pior. Desagradável e desagradando a mim e aos outros. Eu sou um desgraçado desagradante. Biodegradável.

Sem deus, sem fé, sem diabo e sem ateísmo. Não fode. Voltei sem nada. Eu não sou nada, mas antes preferiria ser vazio do que cheio de estrume ideológico que faz brotar frutas apodrecidas. Não fode. Por favor não precisa jogar agrotóxico em mim. Eu mesmo sei fazer isso.

Voltei como um vegetal, a chorar sem sentimentos, a rir sem realmente achar graça. Eu sou uma planta. Eu sou uma planta carnívora, a comer mosquinhas que distraidamente pousam de calcinha listrada na revista vip.

Eu voltei igual uma planta quer virar vegetariana. Fora do meu eixo, mas assim mesmo me encontro. Cortando raízes, arrancando as folhas, e plantando sementes. Semen

Eu voltei, mas já estou indo embora novamente. Ciao, ragazzo.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

NOFX Coaster


nofx coaster

Caros, baixei este CD pela internet, ao contrário de uns cinco ou seis albuns desta banda, os quais comprei em loja. Como sou uma pessoa que se interessa pelo conhecimento, fiz uma pequena pesquisa no google a fim de ler algumas resenhas deste album; de modo inicial, o CD COASTER não me chamou muito a atenção; aos poucos, isso foi mudando; ou melhor, de um momento a outro fui então percebendo sua magnitude e que eu estava redondamente gordo enganado. Por exemplo, a seriedade sincera ou não da música "my orfan year", em que o gordo mike trata da morte dos pais em 2006, composição em que este relata que concedeu auxílio a sua mãe, a qual lutou contra o câncer, mas foi indiferente em relação ao pai, que, apesar de convocado em seu período pré-falecimento, mike alegou que não poderia ir em fução de outros compromissos, e assim o pai faleceu sem seu filho. Outra música formidável é a 10, com a alternância dos vocais entre os guitarristas e o baixista, "you are superfluos man...". Agora, o que me intrigou, foi que meu filho de 11 meses quando ouviu, e quando ouve, por exemplo, a canção 09 intitulada "best god in show", começa a dançar, parece que foi uma das músicas a qual ele mais gostou, e o mais legal disso é que a letra dela, a qual trata de religião "está ficando cada dia mais difícil sair com gente que acredita em Criação e arca de nóe", eu me identifiquei fortemente.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Ecbátana


Eu e Manuel

Se Manuel foi embora
Foi embora prá parságada
Eu continuo nessa vida
A me perder pela estrada

Não permita deus que eu morra
Sem antes conhecer parságada
Mas vou-me embora nessa vida
A me perder pela estrada

Se Manuel foi embora
E deixou a conta a pagar
Eu sem caneta nem cigarro
Ouvindo a ave a cantar:

“Passei a vida a toa, a toa!” – Eu não.

Se Manuel estava triste
Foi embora tomar banho de mar
Andar de bicicleta
E ouvir joana a cantar

Eu, quando estiver triste, mais triste de não ter jeito
Quando a noite me der vontade de me matar
Ah meu deus, sem cama e sem mulher
Eu tento de tudo

Mas continuo nessa vida
A me perder pela estrada

Manuel foi embora
Eu vou ficar.

Prefiro me perder a de todo me queimar.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ranca rabo


O homem vivia em uma casa. Em sua casa, além dele viviam inúmeras lagartixas, aquele bixo que, quando acuado, solta seu rabo.

O homem não gostava das lagartixas em sua casa, e vivia a acuá-las, tentando matá-las; e elas a rancarem seus rabos.

O homem vivia no ranca rabo com as lagartixas. Mas não adiantava, ele as matava e sempre apareciam mais.

Mas um dia o homem pensou: percebeu que em sua morada sempre havia inúmeras teias de aranha, e portanto várias aranhas e outros insetos pequenos como mosquitinhos.

As teias e as aranhas não incomodavam, pois por sua vez, acabavam com alguns insetos de sua residência.

Mas aí ele pensou, pensou e decidiu acabar com as aranhas, que, prudentemente, serviam de alimento para as lagartixas.

A partir desse dia, sem as teias, sua casa ficou livre de lagartixas, pois estas não encontravam alimentos lá.

Morais da história:

1- Escolha o mal menor para conviver. Ele preferiu mosquitos do que lagratixas.

2- Mesmo com o risco de morte e ameaça constante, a gente ainda vai atrás daquilo que nos mantém vivo.

3 - Se você quer se ver livre de pragas em sua pobre e estupefada estafada estarrafada vida, não as mate, mas acabe com aquilo que as mantém vivas.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Coragem


Novamente eu questiono: onde está minha maconha, diabos?

Eu nunca tinha visto tantos evangélicos por metro quadrado.

Mas às vezes a gente tem que ter coragem para falar, para enfrentar, para temer.

Esse é paradoxo: coragem para ter medo também, querer morrer, e também querer viver, e desprender do desprendimento, ter deus é não ter deus.

Não ter medo de se fuder.

Mas eu não vou jogar pérolas aos porcos.

Nem vou usar um colar de torresmo em meu pescoço.

Mas também não vou permitir que nenhuma fruta estrague em minha cestinha de frutas.

Não ter medo de se fuder.

Paga-se mal a um mestre quando se continua a ser sempre o aluno.

Mas eu não irei arrancar coroa de louros de ninguém.

Não tenha medo de se fuder.

A pressão torna o carvão diamante.

A pressão torna o carvão diamante.

Desde que este seja um carvão mineral, que pode se tornar um diamante, com a pressão.

Eu não terei medo de me fuder.

Mas é preciso ter um pouco de coragem, para se enterrar lá e permanecer paciente por séculos, sob pressão.

Como uma minhoca que se fode.

Bença

 a dança dança bença  doença densa  tricota entre eucaliptos  tensa  triste e sem pressa sem essa meça meca mecânica maca maçã aveludada ter...